Buscar
  • Paulo Lobato

Juntas ferroviárias: manutenção

Atualizado: 15 de jul.


Introdução


Trouxemos mais um assunto para o nosso blog: Manutenção de Juntas. Iremos falar sobre cada uma de suas classificações e tipos, bem como a recomendação de onde cada uma se adequa melhor. Além disso, falaremos sobre as recomendações e cuidados que devemos ter com os componentes, bem como quando podemos reutilizá-los.



Juntas


As juntas podem ser descritas como a conexão de duas barras de trilhos consecutivas, obtida pelo ajustamento e fixação das talas de junção. Em outras palavras, podemos dizer que a junta é uma seção de união de trilhos. Ela tem por objetivo manter o nivelamento e alinhamento da seção de ligação. A seguir, será explicado como realizar a manutenção das juntas.


Componentes:

  • Trilhos

  • Talas

  • Parafusos

  • Porcas e arruelas

  • Entre outros.

Componentes das juntas

As juntas são pontos frágeis da via, sendo assim, são um mal necessário. Usadas quando não há possibilidade de soldagem dos trilhos. As juntas são obrigatórias quando há separação entre seções de bloqueio de linhas sinalizadas. Além disso, são responsáveis por drenar grande parte do orçamento e outros recursos de manutenção.




As juntas são classificadas de acordo com o tipo, posição e apoio.


  1. Quanto ao tipo, elas podem ser:

  2. Convencionais

  3. De dilatação

  4. Isolantes

  5. De transição

  6. Quanto à posição, elas podem ser:

  7. Paralelas

  8. Alternadas

  9. Quanto ao apoio, elas podem ser:

  10. Apoiadas

  11. Em balanço

Apoio das juntas


Recomenda-se sempre a aplicação de juntas em balanço, pois nas juntas apoiadas, quando da passagem das rodas, o dormente apoia uma das pontas dos trilhos criando um ressalto para a roda. Este ressalto é uma situação indesejada, pois favorece a fratura do trilho, da roda e a escalada da roda sobre o trilho.


Posição das juntas



Tipos de Juntas

  • De dilatação

As juntas de dilatação possuem pontas bizeladas, permitindo a dilatação térmica dos trilhos. Esse tipo de junta é muito comum em transição de estruturas como por exemplo nos encontros de pontes metálicas.


  • Isolantes

Possuem componentes isolantes e são necessárias em linhas sinalizadas para marcar o limite da seção de bloqueio. Elas ainda podem ser encapsuladas ou coladas



  • De transição

As juntas de transição promovem a conexão de trilhos de diferentes perfis, como por exemplo a transição de um perfil TR57 para TR68.



Talas de junção


As talas de junção são os principais componentes da junta e possuem o objetivo de fazer a união de dois trilhos, garantir rigidez à seção além de resistir minimamente aos esforços longitudinais.


As talas de junção são classificadas de acordo com a quantidade de furos, seção transversal e isolamento elétrico.


Quantidade de furos

  • 4 furos (mais comuns em TR37)


  • 6 furos (TR45 e superior)

Seção transversal

  • Lisas:

  • Corpo se encaixa integralmente à alma

  • Se apoia no boleto e no patim

  • Comum em 4 ou 6 furos


  • Angulares:

  • Modelo mais recente

  • Recentemente o mais adquirido

  • Aplicável em perfis grandes e pequenos

  • Extremidades reforçadas para absorver esforços

  • Vida útil maior que a de outros modelos


  • Cantoneira e semicantoneira:

  • Possui cantoneira que abraça o patim

  • Invade a área de pregação

  • Só utilizada com fixação rígida

  • Cantoneira é uma região sensível

  • Baixa vida útil

  • Pouco utilizada atualmente


Isolamento elétrico


  • Talas encapsuladas

  • Componentes:

  • Talas encapsuladas: Núcleo em aço laminado e Isolamento em poliuretano

  • Plaquetas metálicas

  • Separador isolante

  • Buchas isolantes dos parafusos

  • Porcas e parafusos


  • Talas coladas

  • Componentes:

  • Talas metálicas

  • Isoladores da tala

  • Cola epóxi (vedação)

  • Separador isolante

  • Buchas isolantes dos parafusos

  • Porcas e parafusos


Parafusos, porcas e arruelas da tala


Estes componentes possuem a função de tracionar a tala contra o trilho, porém não são responsáveis por resistir aos esforços longitudinais. Sendo assim, são facilmente cisalhados se as talas forem mal instaladas.


A tabela abaixo apresenta o diâmetro dos parafusos para cada perfil de trilho:


Grampos de talas


Os grampos de talas são utilizados em casos de emergência de fratura de trilho para substituição temporária da furação



Instalação das talas


Passos para a instalação das talas




  1. Marcação dos furos e furação;

  2. Bizelamento dos furos;

  3. Limpeza da tala e da alma;

  4. Aplicação da tala;

  5. Aperto dos parafusos.





1. Marcação dos furos e furação


2. Bizelamento dos furos


O bizelamento do furo é uma atividade importante pois elimina quinas vivas de onde

poderiam se iniciar fissuras que levariam à fratura do trilho.


Considerações para talas isoladas


As talas isoladas ou coladas encapsuladas possuem todos os seus furos circulares, sendo que os encaixes ovais são dados pelas taletas de reforço.


Deve-se obedecer o local exato demarcado pela equipe de eletroeletrônica para instalação das juntas.


Recomenda-se assentar sempre em tangente para evitar o desgaste prematuro ou fratura da tala devido aos esforços originados na inscrição das composições nas curvas.


Por concepção de sinalização ferroviária, as juntas isoladas são instaladas paralelas entre si (admite-se defasagem máxima de 500mm).


Antes da instalação da tala, deve-se limpar a face da mesma e a alma do trilho com escova de aço para eliminar resíduos que atrapalhem perfeito acoplamento e dano ao revestimento da tala.


Considerações gerais


É recomendável que as juntas metálicas de uso permanente sejam posicionadas em balanço e alternadas.


A defasagem mínima recomendada entre talas é de 3 m para seção de trilho curto (de até 36m).

A defasagem mínima recomendada entre talas em seção de TLS é de L/4, sendo L o comprimento do TLS (acima de 36m).


Não se deve instalar juntas de transição (mudança de perfil) de uso permanente sobre pontes/viadutos, PN e em curvas.


Deve-se atentar ao nivelamento e alinhamento dos topos dos trilhos, de forma que não haja quinas e desníveis.


Não se deve utilizar pedaços de trilhos para preenchimento de folga de junta (bacalhau).


Não se deve instalar junta em local que haja solda na região de contato da tala convencional com a alma.


Antes da instalação da tala, deve-se limpar a face da tala e a alma com escova de aço para eliminar resíduos que atrapalhem perfeito acoplamento.


Caso necessário, deve-se utilizar tensores hidráulicos para aproximação dos trilhos.


O aperto dos parafusos deverá seguir a seguinte ordem:

1º Aparafusar os parafusos do centro da tala

2º Aparafusar os parafusos intermediários

3º Aparafusar os parafusos da extremidade


Não se recomenda lubrificar os parafusos, pois isto pode levar a um torque excessivo do mesmo, o que reduzirá sua vida útil.


Observar que a parte lisa da porca fique em contato com a arruela.


Na primeira semana de instalação de uma junta, há uma tendência de os parafusos afrouxarem, por isso é necessário verificar se não houve afrouxamento e, se for o caso, reapertar o parafuso.


Manutenção de juntas


Inspeção visual


  • Verificar a integridade dos componentes da junta

  • Verificar a integridade dos trilhos, lastro e dormentes

  • Verificar se os topos dos trilhos estão amassados


Manutenção preventiva

  • Apertar os parafusos

  • Manter o quadramento dos dormentes

  • Manter o espaçamento correto dos dormentes

  • Substituir dormentes inservíveis na região da junta

  • Executar bizelamento e esmerilhamento do trilho


Manutenção corretiva

  • Substituir componentes danificados

  • Corte e reajuste de pontas de trilhos empenadas, amassadas ou lascadas

  • Soldagem da junta

  • Nivelar a junta

Nivelamento


O desnivelamento é o principal problema nas juntas. Este defeito é prejudicial tanto para os componentes da via, quanto do material rodante e representa um alto risco para a segurança do tráfego, além de consumir grande parte do orçamento de manutenção.


No serviço de nivelamento de juntas, deve-se:

  • Substituir os dormentes inservíveis

  • Fazer repregação de dormentes sem fixação

  • Reespaçar dormentes

  • Apertar os parafusos da tala

  • Se as pontas dos trilhos estiverem empenadas (caimento da ponta), deve-se eliminar a ponta e executar nova junta ou solda

  • Nivelar com macaco mecânico de 15t

  • Realizar socaria dos dormentes na região da junta


Bizelamento


O objetivo do bizelamento das pontas dos trilho é eliminar as rebarbas por escoamento do material. Se não removidas elas provocarão a deterioração da ponta e redução de vida útil do trilho.


O bizelamento deve ser realizado conforme as figuras abaixo:



Nesta atividade não se deve utilizar máquinas de cortar trilho, pois isto representa uma condição insegura para o colaborador.


Esmerilhamento


O esmerilhamento do trilho é o acabamento do serviço com o intuito de adequar a superfície de rolamento e eliminar ressaltos, escoamento, defeitos superficiais e arestas vivas. Somente deve-se executar o esmerilhamento quando a junta estiver bem nivelada.



Critérios de descarte de componentes

Parafusos

  • Presença de trincas ou fraturas

  • Empeno no corpo do parafuso

  • Roscas danificadas que impeçam colocação de porcas

Talas

  • Presença de trincas ou fraturas

  • Empeno ou deformação no corpo da tala sucata

Conclusão


Chegamos ao final de mais um post, no qual conseguimos entender um pouco mais sobre manutenção de juntas. Para ficar por dentro de todos os assuntos de via permanente continue acompanhando nosso blog.


Se você gostou, lembre-se de compartilhar e deixar uma curtida no nosso post para nos ajudar.


Escrito por Paulo Lobato e Laura Lima

Especialista em manutenção de via permanente ferroviária

Elevada experiência em gerenciamento de projetos e análise de viabilidade técnica-econômica de novos projetos

Engenheiro Civil formado pela UFMG em 2010 com curso de extensão em ferrovia e transportes pela École Nationale des Ponts et Chaussées em Paris/França

Certificado em Gestão de Projetos pelo Project Management Institute (PMI)

Certificado em Inglês Avançado (CAE) pela Cambridge University

Pós-graduado em Engenharia Ferroviária pela PUC-Minas

Pós-graduado em Gestão de Projetos pelo IETEC

Pós-graduado em Restauração e Pavimentação Rodoviária pela FUMEC

Contato: (31) 98789-7662

E-mail: phlobato01@gmail.com


Veja Também:



15 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo