Alavancas para a eficiência da manutenção de VP
- Paulo Lobato
- 16 de ago.
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Em seu renomado livro "Modern Railway Track", Coenrad Esveld afirma: "O monitoramento da infraestrutura ferroviária representa uma das partes mais importantes de um Sistema de Gestão de Ativos (SGA). A capacidade geral de gestão do SGA dependerá da qualidade dos sistemas de monitoramento disponíveis. A razão para o monitoramento é geralmente dupla. A primeira e mais imediata razão é, obviamente, detectar irregularidades que possam colocar em risco a segurança e a confiabilidade do tráfego ferroviário. No entanto, se a técnica de monitoramento for contínua e rápida o suficiente para permitir que medições consecutivas sejam realizadas em intervalos de tempo regulares, um aspecto temporal extremamente importante é obtido, o que é de suma importância para uma gestão bem-sucedida baseada na condição. Isso significa que tal técnica de monitoramento pode fornecer uma visão sobre o comportamento dos elementos da infraestrutura ao longo do tempo. E isso pode permitir a previsão de condições e o consequente planejamento de manutenção. Este conceito geralmente representa o objetivo de qualquer monitoramento de condição."[1]
Analistas da McKinsey enfatizam o papel da análise avançada na transformação da eficiência da manutenção, afirmando que a manutenção baseada na condição poderia gerar ganhos de eficiência de 10% a 15%, potencialmente gerando economias globais de até 7,5 bilhões de euros por ano.[2]
Um relatório do Boston Consulting Group (BCG) também identifica várias estratégias para reduzir os custos operacionais no setor ferroviário. Uma das principais alavancas é a adoção da manutenção baseada na condição, que pode cortar os custos de manutenção em 10% a 15%. Outra estratégia envolve o uso da automação e da tecnologia para reduzir os custos indiretos em até 30%. Por exemplo, a Norfolk Southern utiliza IA para analisar imagens de câmeras instaladas ao longo da via, transmitindo percepções diretamente para as operações.[3]
Uma terceira alavanca se relaciona com a melhor utilização de ativos e pessoal. O BCG destaca o caso da Canadian National, uma ferrovia de carga que vende ou aluga material rodante excedente, equipamentos e materiais ferroviários — recuperando valor e transformando custos fixos em variáveis.
O BCG ainda afirma que "a digitalização otimiza processos e transforma as operações a longo prazo", encorajando os operadores a "traduzir os dados da via em estratégias de manutenção e gestão de ativos, e evoluir para a manutenção preditiva."
Algumas das iniciativas propostas pelo BCG incluem:
Implementar câmeras para reduzir a necessidade de inspeções visuais manuais.
Permitir estratégias de reforma antecipada.
Desenvolver pontuações de "saúde" para ativos individuais.
Usar sensores para detectar desgastes até então desconhecidos.
Sources:
[1] Esveld, C. Modern Railway Track. MRT Productions. 2001.
[2] Stern, S. et al. The rail sector’s changing maintenance game. Mckinsey.com. 2017.
[3] Maximizing Value in the Rail Industry with Strategic Cost Management. BCG.com. 2024.
Escrito por Paulo Lobato

Especialista em manutenção de via permanente ferroviária e gestão de projetos com 15 anos de experiência profissional
Engenheiro Civil formado pela UFMG em 2010 com curso de extensão em ferrovia e transportes pela École Nationale des Ponts et Chaussées em Paris/França
Certificado em Gestão de Projetos pelo Project Management Institute (PMI)
Pós-graduado em Engenharia Ferroviária pela PUC-Minas
Pós-graduado em Gestão de Projetos pelo IETEC
Pós-graduado em Restauração e Pavimentação Rodoviária pela FUMEC
Pós-graduado em Gestão de Sistemas Ferroviários e Metroferroviários pela Deutsche Bahn
Contato: (31) 98789-7662
E-mail: phlobato01@gmail.com
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