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  • Paulo Lobato

Lastro ferroviário: manutenção

Introdução


Vimos no post anterior sobre os conceitos e características do lastro, para darmos continuidade a este assunto trouxemos o assunto sobre a manutenção do lastro. Com o tempo o lastro começa a se degradar devido aos esforços a que é submetido e, por isso, sua manutenção é imprescindível. Sendo assim, nesta postagem falaremos sobre controle de qualidade, limpeza e desguarnecimento e descarga de lastro, a fim de manter uma boa estabilidade, resistência e drenagem do mesmo.



Controle de qualidade do lastro


É muito importante avaliar a condição por meio do controle de qualidade e manutenção, uma vez que isso reduzirá as intervenções de socaria da linha. Para isso, podemos contar com a utilização de tecnologias que auxiliam na avaliação da superfície e do interior do lastro, como radar de penetração no solo (GPR), escaneamento a laser e câmeras lineares, integradas com GPS e vídeo.


Elementos que podem ser avaliados no controle de qualidade do lastro

A Zetica Rail consegue entregar um relatório completo da inspeção da via, para avaliar sua qualidade. Para isso, ela utiliza diferentes sensores e instrumentos instalados nos veículos dos clientes e veículos próprios, como os modelos apresentados abaixo.


Veículo de circulação para avaliação da condição da via da ZeticaRail

A Zetica Rail possui uma equipe especializada para conduzir a avaliação do lastro e emitem um relatório completo sobre a situação, evidenciando suas necessidades. Com isso, posteriormente fica muito mais fácil direcionar a equipe de manutenção para o serviço e local corretos de forma bem planejada, antes que a situação se agrave.


Ground Penetrating Radar (GPR)


O GPR é um equipamento que utiliza ondas eletromagnéticas para avaliar as diferentes camadas do solo. Na figura a seguir podemos observar melhor seu funcionamento:


GPR e seu princípio básico de funcionamento

A seguir podemos observar um exemplo de leitura do GPR e as condições encontradas:


Exemplo de leitura GPR

Escâner laser


O escâner laser, ou laser scanning, tem a função de mapear o perfil da via, ativos e sistema de drenagem.


Imagens do Laser Scanning

Câmeras Lineares


As câmeras lineares tem como função mapear o tamanho de partículas, afloramento de lama, desgaste de agulha e componentes de via



Imagens de câmeras lineares

Limpeza e desguarnecimento de lastro


O objetivo da limpeza/desguarnecimento do lastro é fazer com que este retorne com suas características adequadas, mantendo uma boa elasticidade, drenagem e capacidade de suporte.


A limpeza pode ser feita de maneira manual e mecanizada. Existem vários modelos de desguarnecimento mecanizado, dentre os quais podemos citar os seguintes equipamentos de desguarnecimento:

  • Desguarnecedora total

  • Desguarnecedora de ombro

  • Desguarnecedora a vácuo

  • Escavadeira de desguarnecimento


Recomendações de limpeza conforme norma - ABNT NBR 7914:1990

Limpeza do lastro

  • Deve ser feita periodicamente entre os dormentes e na banqueta (ombro).

  • Embaixo do dormente só se deve fazer em função de inspeção técnica que a determine e sempre que possível, por processo mecânico que permita a retirada do lastro, sua recuperação, reestabelecimento do perfil da plataforma, relastramento, socaria, nivelamento e alinhamento.

  • Quando essa limpeza se fizer manualmente ou com equipamento mecânico, não devem ser desguarnecidos mais de quatro dormentes consecutivos ou mais de 20% dos dormentes de um mesmo trilho.

  • A limpeza embaixo do dormente não deve ser executada em tempo chuvoso.

Limpeza do lastro

Limpeza até a face inferior do dormente

  1. Retirar parcialmente ou totalmente o lastro na seção transversal da linha ( sentido do comprimento do dormente) com utilização de ferramenta adequada. Sendo que em linha dupla, a seção desguarnecida deve ser considerada até a metade da entrevia.

  2. O material retirado poderá retornar para a via após ser peneirado.

  3. Recompor o lastro preenchendo os vazios existentes com lastro novo, se for o caso.

  4. Socar convenientemente o lastro sob o dormente, recolocando a linha nas condições geométricas especificadas para a mesma.

  5. O rejeito constituído de minério, brita fina e outros, deverão ser coletados e descartados adequadamente para que não retornem para a via com a próxima chuva.


Limpeza até 30 cm abaixo da face inferior do dormente

  • Não se recomenda exceder a extensão de 5 metros e profundidade de 30 cm, pois se a atividade se torna antiprodutiva.

  • Não se recomenda abrir vãos maiores que 1,20m. Antes de avançar para os próximos 1,20m, deve-se recompor o lastro e efetuar socaria manual do local já desguarnecido.

  • Em extensões maiores que 5 metros, deve-se programar atividade mecanizada.

Desguarnecimento total do lastro

  • Em linhas duplas, a seção transversal de desguarnecimento de cada linha deve ser limitada até a metade da entrevia entre uma e outra via.

  • Em linhas singelas, o desguarnecimento deverá atingir toda a seção transversal típica.

  • Deve-se sempre respeitar as inclinações da plataforma de forma a guiar a água para o sistema de drenagem.

  • Em linha dupla, a inclinação não deverá direcionar a água para a linha adjacente.

  • Deve-se aproveitar a oportunidade do desguarnecimento para ajustar as cotas de topo do trilho rebaixando a linha e reestabelecendo a altura ideal do lastro.

  • Quando possível, deve-se associar o desguarnecimento à aplicação de manta geotêxtil e geogrelha para mitigar a penetração de lastro na plataforma e o bombeamento de finos.

  • A espessura de lastro não desguarnecida atuará como sublastro já compactado pela ação do tráfego.

  • Após o desguarnecimento e reposição do lastro faltante, deve-se realizar a correção geométrica da linha e a regularização do lastro.


Equipamentos para limpeza mecanizada


Desguarnecedora total

Equipamento para remoção, recolhimento e peneiramento de lastro sob dormentes através de corrente


Vantagem: Peneira lastro e alta produtividade


Desvantagem: Alto custo e necessidade de gabarito


Produtividade: 120 m³/h


Custo aproximado: R$ 45 MM




Desguarnecedora a vácuo


Equipamento para aspirar lastro sob e entre dormentes através de bico de sucção.


Vantagem: Flexibilidade para atuação em túneis, AMV’s e pontes lastradas


Desvantagem: Custo médio, não peneira lastro e possui baixa produtividade


Produtividade: 39 m³/h (0,5 dorm./min)


Custo da desguarnecedora: R$ 16,47 MM


Custo de manutenção: R$ 720 M a.a.



Desguarnecedora de ombro


Equipamento de remoção e recolhimento de lastro sob dormentes através de correia dentada


Vantagem: Custo médio e compacto


Desvantagem: Não peneira lastro


Produtividade: 78,6 m³/h a 118m³/h (1,0 a 1,5 dorm./min)


Custo aprox. do equipamento: R$ 20 MM


Escavadeira de desguarnecimento


Implemento de escavadeiras de pequeno, médio e grande porte para remoção de lastro sob dormentes através de correia dentada.


Vantagem: Baixo custo e compacto


Desvantagem: Não recolhe peneira lastro, não trabalha em cortes apertados


Produtividade: 106m³/h a 129m³/h (2,25 a 2,75 dorm./min)


Custo de implemento: R$ 400 M

Custo de escavadeira: R$ 650 M

Custo rodoferroviário: R$ 200 M

Custo de manutenção: R$ 21 por hora produtiva


Para entender mais sobre desguarnecimento adquira nosso curso, onde falamos, também, sobre alguns casos de desguarnecimento.


Descarga de lastro


A descarga de lastro deve ser realizada quando necessária, na quantidade necessária e no local correto, para que não ocorram os problemas listado abaixo:


Orientações de segurança na descarga de lastro

Já falamos em outras postagens, mas é sempre importante mencionar a importância do uso de EPI's.

Abaixo, seguem algumas informações de segurança:

  • Utilize todos os EPI’s em todo o momento da descarga.

  • Atenção à posição ergonômica durante a descarga

  • Cuidado ao caminhar devido a risco de tropeços e torções

  • Siga sempre as instruções do encarregado de descarga

Instruções gerais para descarga de lastro


1. Limpar a lateral da via de obstáculos antes de iniciar a descarga

2. Destravar as comportas (tremonhas) de descarga antes de iniciar a descarga

3. Controlar a abertura das comportas dos vagões

4. Descarregar o material no local definido pelo encarregado


Vagão de Descarga HNE



Vagão de descarga (HAD)



Comporta de descarga

  • Descarga central ou lateral



Controle de descarga

  • Controla quantidade e local de descarga


  • Controle de descarga aberta



Descarga do lastro



Conclusão


Finalizamos mais uma postagem, onde vimos a importância da manutenção do lastro. Além disso, foram mostrados os equipamentos utilizados no desguarnecimento do lastro. Foiram mencionadas também as recomendações para limpeza do lastro de acordo com a norma ABNT NBR 7914:1990 e o controle de qualidade para evitar as intervenções de socaria na linha.


Escrito por Paulo Lobato e Laura Lima

Especialista em manutenção de via permanente ferroviária com 15 anos de experiência

Elevada experiência em gerenciamento de projetos

Engenheiro Civil formado pela UFMG em 2010 com curso de extensão em ferrovia e transportes pela École Nationale des Ponts et Chaussées em Paris/França

Certificado em Gestão de Projetos pelo Project Management Institute (PMI)

Certificado em Inglês Avançado (CAE) pela Cambridge University

Pós-graduado em Engenharia Ferroviária pela PUC-Minas

Pós-graduado em Gestão de Projetos pelo IETEC

Pós-graduado em Restauração e Pavimentação Rodoviária pela FUMEC

Contato: (31) 98789-7662

E-mail: phlobato01@gmail.com


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