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  • Foto do escritorPaulo Lobato

Dormentes ferroviários: defeitos

Atualizado: 1 de abr. de 2023

Introdução


Continuando na mesma linha do post anterior, vamos falar, agora, sobre os defeitos dos dormentes. Iremos nos aprofundar sobre os defeitos em cada tipo de dormentes, de madeira, de concreto e de aço. Em seguida, discutiremos sobre os critérios da retirada destes, bem como os critérios para seu reemprego, no caso dos dormentes de madeira.



Defeitos em dormentes de madeira


No quadro a seguir temos os defeitos e seus possíveis sintomas dos dormentes de madeira:


Os dormentes desquadrados e mal espaçados são dormentes que não estão paralelos. Tal situação implica no fechamento de bitola, dificuldade de socaria e a má distribuição de esforços.


Há defeitos de dormentes queimados o que causa perda de resistência de esforços.


Outro tipo de defeito são os dormentes que possuem rachaduras, fraturas e trincas, ou seja, eles não possuem mais capacidade estrutural.



Defeitos em dormentes de concreto


Em suma, temos os defeitos e seus sintomas dos dormentes de madeira no quadro a seguir:

Um defeito de dormentes de concreto é quando a capacidade estrutural está comprometida devido ao descarrilamento. Esse dano pode se prolongar para uma trinca ou fratura total do dormente.


Outro exemplo de quando o dormente está com sua capacidade comprometida é quando há uma fratura longitudinal na região da fixação.


Há também dormentes de concreto desquadrados, ou seja, os dormentes não estão posicionados corretamente paralelos uns aos outros.


O dormente deteriorado está associado, geralmente, a regiões com dificuldades de drenagens, onde há perda de nivelamento gerando esforços excessivos no dormente, o que pode levar tanto ao seu deslocamento quanto à sua deterioração.


Pode ocorrer, também, a deterioração do dormente na região de apoio dos trilhos, também chamado de caseamento. Este defeito ocorre devido, principalmente, à presença de água e altas solicitações de trens com cargas pesadas. Além disso, curvas muito apertadas geram esforços excessivos lateralmente corroborando para o agravamento desta situação. Cabe destacar que que as palmilhas cumprem um papel fundamental na proteção dos dormentes, evitando que este tipo de defeito ocorra.


Outro problema comum em linhas com dormente de concreto é o efeito pilão, que é um fenômeno que ocorre quando temos a associação de alta vibração da via, muitas vezes causada por corrugação nos trilhos ou defeitos de geometria, e alta carga por eixo e dormentes de concreto. A combinação destes dois fatores gera a aceleração da fadiga dos componentes da via e a "moagem" do lastro pelos dormentes e vice-versa. O resultado é a geração de excesso de finos que levam a contaminação do lastro que, por sua vez, aceleram ainda mais a moagem do lastro.


Para evitar tanto a moagem quanto o caseamento, é necessária uma boa fixação, frisando o uso de palmilhas. O uso de uma espécie de “colchão” sob o dormente, que é chamado de Under Sleeper Pad, também é um bom aliado para o prolongamento da vida útil do dormente e lastro.



Defeitos em dormente de aço


Os defeitos associados aos dormentes de aço são:



Consequência de falhas em dormentes


Algumas dessas consequências são iguais aos possíveis sintomas dos defeitos de dormentes, devido ao fato de que todos os componentes da via trabalham de forma integrada formando um conjunto único. Pode-se dizer que da mesma forma que uma falha do dormente pode causar um defeito de via, este pode causar uma falha no dormente. Sendo assim, apresentaremos algumas consequências de falhas em dormentes:

  • Afrouxamento de fixação;

  • Abertura de bitola;

  • Fechamento de bitola;

  • Desnivelamento;

  • Má distribuição de esforços;

  • Dificuldade de socaria;

  • Tombamento de trilho.


Critérios para retiradas de dormentes de madeira


Devemos considerar os seguintes pontos para retirada dos dormentes de madeira:

  • Degradação por apodrecimento que comprometa fixação;

  • Apodrecimento severo sob a placa de apoio;

  • Existência de trincas atravessando apoio dos trilhos;

  • Cerne do dormente apodrecido (alburno pode estar ligeiramente podre);

  • Existência de fratura ou ruptura transversal ao eixo longitudinal;


É valido destacar que estes critérios se aplicam para os dormentes de madeira em linhas comerciais e que devemos sempre considerar a possibilidade de reemprego dos mesmos.


Critérios para retiradas de dormentes de aço


Já nos dormentes de aço devemos observar os seguintes aspectos para retirada do dormente:

  • Fratura ou trinca no eixo transversal do dormente;

  • Fratura ou trinca na ligação das abas com o shoulder;

  • Fratura ou trinca na região de apoio do trilho;

  • Deformação no shoulder que impeça aplicação da retenção;

  • Empeno que comprometa a bitola;

  • Ovalização dos furos do shoulder hook-in;

  • Corrosão que comprometa espessura.


Critérios para retiradas de dormentes de concreto

Por último vamos falar das análises que devem ser feitas para considerar que um dormente de concreto é inservível:

  • Ruptura do dormente

  • Danos no shoulder

  • Trincas ou fissuras na região do apoio dos trilhos

Critérios para reemprego de dormentes de madeira


Como já mencionando, devemos avaliar alguns pontos para sabermos se o dormente de madeira pode ser reempregado em uma via secundária. Para isto, devemos, primeiramente, separar os dormentes inservíveis daqueles que ainda podem ser reutilizados. Saberemos se este componente ainda pode ser reempregado caso possamos tarugar os furos já feitos, fazer novos furos e/ou girá-lo à 180°. Este último é feito quando observamos se a face traseira do elemento está em boas condições. Além disso, podemos deslocar o dormente para que sejam feitas as ações necessárias para o seu reemprego.


Com a análise dos dormentes reempregáveis e sua separação feitos, podemos, então, começar o processo de reemprego dos dormentes.



Conclusão


Finalizamos mais um post do nosso blog, onde foi possível observar os inúmeros defeitos de dormente e o que devemos fazer quando eles forem identificados. É válido destacar que podemos reempregar alguns destes dormentes ao avaliar alguns critérios. Para saber mais sobre esse assunto acesse nosso site e adquira nosso curso de Fundamentos da Manutentenção de Via Permanente.


Texto adaptado do Manual Técnico de Manutenção da Ferrovia Centro-Atlântica


Escrito por Paulo Lobato e Laura Lima

Especialista em manutenção de via permanente ferroviária

Elevada experiência em gerenciamento de projetos e análise de viabilidade técnica-econômica de novos projetos

Engenheiro Civil formado pela UFMG em 2010 com curso de extensão em ferrovia e transportes pela École Nationale des Ponts et Chaussées em Paris/França

Certificado em Gestão de Projetos pelo Project Management Institute (PMI)

Certificado em Inglês Avançado (CAE) pela Cambridge University

Pós-graduado em Engenharia Ferroviária pela PUC-Minas

Pós-graduado em Gestão de Projetos pelo IETEC

Pós-graduado em Restauração e Pavimentação Rodoviária pela FUMEC

Contato: (31) 98789-7662

E-mail: phlobato01@gmail.com

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